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Cresce a onda de informações de que poderá faltar diesel no Brasil no próximo mês, problema que acontece em boa parte da Argentina e em países menores. Mas lideranças do setor de distribuição de combustíveis em Santa Catarina não veem esse risco no Estado por três motivos: estoques um pouco maiores, proximidade de refinarias, possibilidade de importar mais caro e poucos postos de bandeira branca, que têm oferta menos garantida.

O presidente do Sindicato de Comércio Varejista de Combustíveis Minerais de Florianópolis (Sindopolis), Vicente de Santana, informa que os postos da região estão mantendo os estoques de diesel com capacidade máxima desde o final do ano passado, em função da escassez.

– Isso custa mais caro para os proprietários de postos, mas orientamos assim para terem mais segurança – explica ele.

Outro fato que pesa no sentido de que o Sul do país pode não ter falta de diesel são as refinarias instaladas na região. A Petrobras tem refinarias próximas de Curitiba e Porto Alegre, que fornecem diesel. Segundo ele, o combustível importado vai mais para o Nordeste, onde há menos consumo e menos refinarias.

Quem também não acredita em falta de diesel no Sul do país, em especial em SC, é o CEO da Agricopel, de Jaraguá do Sul, Paulo Chiodini. O grupo tem atuação verticalizada. Além da distribuição regional para empresas, é sócio da Shell Raízen nacional (que também importa) e tem a rede de postos Mime.

– A escassez de diesel é por causa da falta de paridade do preço com o mercado internacional. Como o preço lá fora está mais caro, a importação está sendo menor – explica Chiodini.

Segundo ele, as empresas ainda não estão fazendo estoque porque isso é muito complexo. Geralmente, a capacidade de estoque de diesel por um posto é muito curta, para vendas de uma semana. Mas refinarias e a própria Petrobras têm mais capacidade de estocagem, observa.

Quanto à proposta de elevar a mistura de biodiesel de 10% no total de diesel para 12%, Paulo Chiodini acredita que será difícil porque o biodiesel no Brasil está mais caro do que o diesel no exterior.

Sobre o fato de postos de bandeira branca (sem bandeira) terem mais dificuldades para comprar diesel, Chiodini avalia que o cenário deles é diferente porque são menores e registram menos demanda por diesel.

Estão em cidades ou em rodovias com menos movimento e vendem mais gasolina. Cerca de 30% dos postos em SC estão nesse grupo, estima o empresário.

Para o advogado Marcelo Gasparino, que é conselheiro independente da Petrobras (mas não fala em nome da empresa), o risco é bastante baixo de o país ter falta de combustíveis. Por isso ele também está nesse grupo que não acredita em falta de diesel nos próximos meses.

Via NSCTotal – Coluna Estela Benetti