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Dois fatos novos foram apresentados nesta segunda-feira por líderes que trabalham a transição para o novo governo de Luíz Inácio Lula da Silva: a participação do ex-ministro Fernando Haddad nas reuniões da equipe econômica e a PEC da Transição, protocolada com R$ 198 bilhões fora do teto de gastos. São dois fatos que, por enquanto, não acomodam o mercado porque falta clareza na futura política fiscal.

O setor empresarial, inclusive em Santa Catarina, espera que o presidente eleito e sua equipe definam como será a política fiscal do novo governo. Isto significa a definição de um limite para os gastos públicos diante de recursos escassos.

Para o setor produtivo, é necessário um norte sobre os gastos porque quando esses são excessivos causam um ciclo negativo na economia, com volta da inflação, juros altos, recessão e queda da atividade econômica. Esse cenário é ruim para empresas, para o emprego e também para a arrecadação de impostos, o que acaba afetando os mais pobres de diversas formas. Por isso a cobrança de um teto, mesmo que não seja cumprido à risca.

A inclusão do ex-ministro Haddad na equipe econômica não agrada o mercado porque ele é visto como um nome que dialoga pouco com o setor empresarial. Um técnico da área econômica ou até um político mais aberto a conversas seriam mais aceitos. Nos bastidores, fala-se que Lula pode escolher Haddad para a Fazenda e colocar um economista de renome no ministério do Planejamento, mas ainda falta esse segundo nome de confiança do mercado.

O setor produtivo catarinense, a exemplo do nacional, está apreensivo com essas indefinições e com a PEC de quase R$ 200 bilhões fora do teto. Empresários de SC temem que a desconfiança do mercado frente à política econômica gere nova crise e, também, estão preocupados com eventual aumento da carga tributária diante da perspectiva da realização da reforma desse setor.

 Boa parte ficou mais temerosa com governos petistas após a recessão de 2015 e 2016. Para esses, políticos da base do partido e a própria equipe econômica que participa da transição têm dito que o presidente Lula já mostrou responsabilidade fiscal quando presidiu o Brasil por dois mandatos. A expectativa é de que os nomes da área econômica sejam definidos com urgência e consigam reduzir essas inseguranças.

Via NSCTotal – Coluna Estela Benetti