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Com uma inflação de 7% ao ano, os preços médios de bens e serviços dobram a cada dez anos

Embora economistas ainda acreditem que a inflação, medida pelo IPCA, retroceda para 4,7% em 2023, o mercado financeiro já aposta que ela será de 7% ao ano pelos próximos 10 anos. Com esta incerteza, qual o investimento mais recomendado?

O comunicado da última reunião do Comitê de Política Monetária (COPOM), que elevou, nesta última quarta-feira, a taxa Selic para 13,25% ao ano, mostrou que existe uma grande disparidade de expectativas com relação à inflação futura.

O memorando divulgado após a decisão do COPOM retrata a expectativa dos economistas afirmando que “a inflação para 2023 e 2024 apuradas pela pesquisa Focus encontram-se em torno de 4,7% e 3,25%, respectivamente.”

No entanto, mais otimista que os economistas, o COPOM, que é um grupo formado por oito diretores do Banco Central e seu presidente, declarou que: “Nesse cenário, as projeções de inflação do COPOM situam-se em 8,8% para 2022, 4,0% para 2023 e 2,7% para 2024.”

Economistas e BC acreditam que a inflação de 2024 será inferior a 3,5%. Entretanto, quem tem algo a perder e realmente coloca seu próprio dinheiro em risco não está confiando nestas projeções.

Investidores apostam que a inflação de 2024 será próxima de 7% ao ano, assim como a de todos os anos pela próxima década. Eles esperam uma inflação equivalente ao dobro da expectativa do BC e dos economistas. Alguém parece estar muito errado.

Esta aposta dos investidores pode ser observada na inflação implícita nos títulos públicos. A Anbima divulga, diariamente, um relatório que faz este cálculo para você (link).

O quadro abaixo, extraído do relatório demonstra esta expectativa. A tabela é construída a partir das taxas dos títulos públicos federais negociados no mercado e é formada por quatro colunas.

A primeira contém o prazo de cada respectiva taxa de juros. A segunda e terceira coluna apresentam, respectivamente, a taxa de um título referenciado ao IPCA e prefixado para cada prazo. A última coluna indica a inflação implícita entre os títulos prefixados e referenciados ao IPCA.

Por exemplo, o prazo de 1260 dias úteis representa cinco anos. Para este prazo, as taxas prefixada e referenciada ao IPCA são 12,63% e 5,41% ao ano. Para calcular a última coluna, basta somar 1 às duas taxas e dividir uma pela outra. Assim, 1,1263/ 1,0541 = 6,85% ao ano.

A inflação implícita nos próximos dez anos está na última linha e coluna e é de 6,9959% ao ano. Essa inflação é muito elevada. Vou colocar em uma perspectiva diferente para que entenda.

Um IPCA de 7% ao ano pela próxima década significa que o preço médio dos bens e serviços vai ser o dobro ao final de 10 anos. Isso mesmo, o preço de um artigo que você compra hoje estará valendo o dobro em uma década.

Sabe quando você, nostalgicamente, recorda quanto pagava barato por algo no passado? Esta sensação vai se repetir continuamente.

Sem dúvida, com a incerteza atual sobre a inflação global, o mais seguro continua sendo preferir os títulos referenciados ao IPCA quando o prazo é superior a dois anos. Com estes, você garante que seus investimentos vão estar sempre rendendo mais que a inflação.

Entretanto, se você acredita que os investidores estão errados e o BC está certo, os títulos prefixados são uma alternativa melhor que os referenciados ao IPCA para o mesmo prazo.

Já para o curto prazo, há também a alternativa de aproveitar o CDI mais elevado do momento. Afinal, ele ainda está superior às taxas longas prefixadas. Enquanto o CDI está acima de 13% ao ano e deve subir ainda mais, a tabela mostra que os títulos prefixados rendem menos que isso para prazos superiores a dois anos. Ou seja, não parece haver muito prêmio em se correr risco para o longo prazo em títulos prefixados.

Via Folha de São Paulo