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O Plano Real completa 27 anos nesta quinta-feira (1º). Lançado em 1º de julho de 1994, o plano debelou a inflação de preços e estabilizou a economia. No entanto, a moeda logo passou a perder seu valor ao longo do tempo. Desde o seu lançamento até maio de 2021, o real já acumulou uma perda de 526,64%.

Calculadora do IPCA

É fato que o real, a princípio, causou uma recuperação no poder de compra dos brasileiros. A título de comparação, apenas no ano anterior ao seu lançamento, a inflação acumulada no Brasil chegou a 5.265,99% — maior taxa da história do Brasil.

Contudo, o que aconteceu antes e após o Plano Real? Além disso, como a atual perda do poder de compra influencia os brasileiros?

Maior hiperinflação da história

Entre os anos 1980 e 1990, o Brasil vivenciou a maior hiperinflação da história mundial. Contudo, não se trata de valores reais, mas de tempo: os brasileiros conviveram nada menos do que 15 anos com a alta dos preços.

Enquanto isso, diversos planos foram lançados na tentativa de conter a alta dos preços. Antes do real, o Brasil teve cinco moedas em um período de apenas dez anos:

  • Cruzeiro — agosto de 1984;
  • Cruzado — fevereiro de 1986;
  • Cruzado Novo — janeiro de 1989;
  • Cruzeiro — abril de 1990;
  • Cruzeiro Real — julho de 1993.

Foi então que, após várias tentativas, o governo Itamar Franco decidiu criar um plano definitivo de estabilização econômica. Em 27 de fevereiro, o Plano Real tinha início.

Alguns membros da equipe obtiveram enorme destaque, como Persio Arida, André Lara Resende, Gustavo Franco e Pedro Malan. Franco, que ocupava o cargo de presidente do Banco Central (Bacen), comemorou no Twitter os 27 anos do plano.

Nota de 1 Real

Em suma, o Plano Real foi a mais ampla medida econômica já realizada no Brasil. A nova moeda acabou com a hiperinflação em menos de um mês. Em julho de 1994, a inflação caiu de 47% para 7%. No mês de agosto, a taxa chegou a meros 1,86%.

Destruição (literal) do real

Apesar do sucesso inicial, o real não passou com sucesso pelo teste do tempo. Como todas as moedas emitidas por governos, a inflação logo afetou a nova moeda. Tal destruição ocorreu de forma muito mais lenta do que no cenário de hiperinflação.

Até janeiro deste ano, o real já havia perdido cerca de 85% de seu poder de compra. Ou seja, uma pessoa precisa de R$ 627 hoje para comprar o que ela compraria com R$ 100 em 1994. Em outras palavras, os brasileiros ficaram 6 vezes mais pobres em menos de 30 anos.

A perda do poder de compra do Real

O auge dessa desvalorização ocorreu na atual crise motivada pela pandemia de Covid-19. Após diversos pacotes de estímulos e redução de juros, o real foi amplamente desvalorizado frente o dólar. Como resultado, a moeda brasileira chegou a fechar em R$ 5,83 em 7 de março de 2020, maior fechamento da história.

No final, a desvalorização da moeda levou até a sua parcial destruição, literalmente falando. Moedas de um centavo, por exemplo, não são mais fabricadas, assim como a cédula de um real publicada por Franco em seu Twitter. A inflação também afeta o custo do dinheiro, eliminando unidades de menor valor.

Em seus 27 anos, o real acabou com a hiperinflação, retirou 16 milhões de brasileiros da pobreza e estabilizou a economia. Nesse sentido, o plano foi um sucesso. Entretanto, como diz o dito popular: “nem tudo são flores”.

Via Criptofácil