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Quase 168 mil pessoas conquistaram vagas de trabalho em Santa Catarina no ano passado, segundo dados divulgados pelo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados)

O sonho do primeiro emprego chegou para a analista de qualidade Giovanna Magnoli, 24 anos, há apenas três meses. Depois de fazer cursos e receber muitas negativas de emprego, ela conseguiu a vaga em uma empresa da área de tecnologia em Florianópolis, em novembro do ano passado.

A jovem faz parte das quase 168 mil pessoas que conquistaram vagas de trabalho criadas em Santa Catarina em 2021, segundo dados divulgados nesta segunda-feira (31) pelo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados). É o ano de maior geração de empregos formais da história.

Santa Catarina obteve o 5º melhor resultado absoluto na geração de empregos em 2021 em todo o país. Em termos proporcionais, quando se leva em conta a variação no total de pessoas empregadas, Santa Catarina obteve o melhor resultado entre os Estados do Sul e Sudeste, com uma taxa positiva de 7,94%.

O governador Carlos Moisés (sem partido) comemorou o resultado. “Esse resultado mostra que tivemos uma recuperação vigorosa no ano que passou. A economia catarinense é extremamente diversificada, e isso ajuda demais. Tanto que tivemos o melhor resultado proporcional entre todos os Estados do Sul e do Sudeste, as duas regiões mais desenvolvidas do Brasil”.

Números melhores do que a pré-pandemia

Segundo o secretário de Estado da Fazenda, Paulo Eli, Santa Catarina já está com um nível de emprego 8% superior ao apresentado em fevereiro de 2020, antes do início da pandemia.

“Tudo é planejamento. Estamos conquistando bons resultados porque, nos últimos quatro anos, trabalhamos com austeridade, transparência e gestão eficiente”, comentou.

O Brasil terminou o ano de 2021 com saldo positivo de 2.730.597 vagas de emprego com carteira de trabalho assinada. Ao longo do ano, foram registradas 20.699.802 admissões e 17.969.205 desligamentos.

Já o mês de dezembro registrou retração de 265.811 postos de trabalho. O número decorre de um total de 1.703.721 de desligamentos e de 1.437.910 admissões.

Mudança de curso para aproveitar oportunidades

Giovanna Magnoli conta que teve dificuldades para entrar no mercado de trabalho por dois motivos: sem experiência e não ter cursado a graduação na área de tecnologia. A jovem cursava física quando decidiu migrar para tecnologia. Resolveu mudar de área por entender que era mais promissora.

A analista de qualidade da Way2, empresa fornecedora de soluções tecnológicas para medição e gestão de energia, começou a procurar emprego e enviou dezenas de currículos durante quase um ano, logo após investir em cursos na área de tecnologia.

“Estava muito difícil, além de ser o primeiro emprego, estava na pandemia e não tinha feito curso de tecnologia. Estava ficando desanimada. Parece que estava esperando a hora certa. Desde sempre me senti muito bem abraçada na empresa”, contou Giovanna.

Saldo positivo em todo o país

O Brasil terminou o ano de 2021 com saldo positivo de 2.730.597 vagas de emprego com carteira de trabalho assinada. Ao longo do ano, foram registradas 20.699.802 admissões e 17.969.205 desligamentos.

As cinco regiões do país apresentaram saldo positivo de contratações ao longo de 2021. Na região Sudeste foram criados 1.349.692 postos de trabalho (crescimento de 6,8%); no Sul, o saldo foi de 480.771 postos a mais (alta de 6,61%); no Nordeste foram criados mais 474.578 postos (7,58%); no Centro-Oeste, o acréscimo foi de 263.304 vagas (8,07%); e a região Norte teve incremento de 154.667 empregos formais (8,62%).

No acumulado do ano, o Estado de São Paulo foi o que abriu maior número de empregos formais, totalizando 814.035 novas vagas, o que representa alta de 6,80%. Em segundo lugar está Minas Gerais, com saldo positivo de 305.182 vagas (alta de 7,5); seguido do Rio de Janeiro, com 178.098 novos postos (5,77%).

Os menores saldos foram registrados em Roraima, com geração de 4.988 postos de trabalho com carteira assinada; Amapá (5.260); e Acre (8.117).

Setor de serviços foi o que mais contribuiu

No acumulado do ano, o saldo de 2,7 milhões de postos de trabalho no Brasil teve, no setor de serviços, sua maior contribuição, com 1.226.026 vagas criadas. Foram 9.284.923 admissões ante a 8.058.897 desligamentos.

O setor de comércio agregou outras 643.754 vagas (4.889.494 admissões e 4.245.740 desligamentos), enquanto a Indústria gerou 475.141 novas vagas (3.352.363 admissões e 2.877.222 desligamentos) em 2021.

As atividades de construção criaram 244.755 vagas (2.017.403 admissões e 1.772.648 desligamentos), enquanto agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura teve 140.927 novas vagas com carteiras assinadas (1.155.619 admissões e 1.014.692 desligamentos).

O estoque (quantidade total de vínculos formais ativos) no acumulado do ano apresentou variação de 7,08% (na comparação com 1º de janeiro de 2021).

Já em dezembro, o saldo de empregos foi negativo em quatro dos cinco grupamentos de atividade econômica analisados. O único a apresentar saldo positivo (9.013 vagas) foi o de comércio; reparação de veículos automotores e motocicletas.

O saldo da indústria ficou negativo em 92.047 vagas; o da construção perdeu 52.033 postos de trabalho; o de agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura registrou uma queda de 26.073 vagas; e o de serviços diminuiu em 104.670 o saldo de empregos celetistas.

Demanda por mão de obra

Para Natália Adams, diretora de recursos humanos da Way2, os números positivos de vagas de emprego em Santa Catarina podem ser refletidos na empresa. Em 2020, contava com 78 colaboradores e até janeiro deste ano o número subiu para cerca de 145 pessoas, um aumento de mais de 85%.

A diretora de RH observou que o saldo seria ainda maior se o Estado ofertasse mão de obra qualificada, principalmente na área de tecnologia. “A gente não forma pessoas no mesmo tempo que surgem demandas por soluções tecnológicas. O mercado está escasso em mão de obra”, afirmou Natália.

Ela reforça que Santa Catarina está “exportando” talentos para empresas dos Estados Unidos da América e na Europa. “Elas contratam aqui. Santa Catarina é um polo das empresas de tecnologia, por ter muitos talentos. Alguns estão indo embora e alguns trabalhando em casa, ganhando em dólar e euro”, salientou.

Ações para incentivar o desenvolvimento de formação de profissionais tem ocorrido. Uma parceria com a Fiesc (Federação das Indústrias de Santa Catarina) e a Acate (Associação Catarinense de Tecnologia), um curso na área de tecnologia.

Via NDmais