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Numa economia de livre mercado, quando a oferta de produtos aumenta, os preços caem. Mas não foi isso que ocorreu com o milho e a soja na safra 2021/22 no Brasil, apesar de ter sido boa. Devido à guerra na Ucrânia, que tirou aquele país do grupo de principais fornecedores globais, e também em função do dólar alto, os preços de milho e da soja recuaram pouco no Brasil.

Esse custo pressiona os preços de frango, suíno e ovos, o que impede uma redução maior aos consumidores, observa o presidente da Coopercentral Aurora Alimentos, Neivor Canton.

– As safras de milho e soja foram boas, mas os preços não caíram o suficiente – resume o líder cooperativista.

A redução dos preços dos combustíveis foi expressiva, mas não o suficiente para aliviar a situação do setor. Diante da crise inflacionária do país, a maioria das agroindústrias não conseguiu transferir ao consumidor custos de insumos e combustíveis que tiveram no primeiro semestre.

Se os preços dos grãos tivessem recuado mais na safra, poderiam compensar perdas das empresas e elas poderiam vender a preços menores ao varejo, que chegaria ao consumidor. A escassez mundial em função da guerra está mantendo os preços de grãos em alta e segue gerando inflação.

Em abril, por exemplo, o preço da saca do milho no Brasil e em Santa Catarina estava próximo de R$ 100 e agora, em agosto, após a safra recuou somente até R$ 83. Antes da fase de altas, o preço do milho estava em torno de R$ 50. A saca da soja, que estava em R$ 193 em maio, agora caiu para cerca de R$ 167.

As retrações foram insuficientes para trazer os preços a patamares anteriores. A alternativa é esperar para a próxima safra, conclui Neivor Canton. As estimativas da Conab é que a produção de milho na safra 2022/23 vai crescer 10%, e a de soja, 3,5%.

Via Estela Benetti