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O recuo nos preços da gasolina e do álcool em -4,07% em função da redução da alíquota de ICMS motivou o maior impacto na desaceleração da inflação de junho, que ficou em 0,15%, apurou a Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc Esag). A alta de 13,9% nos produtos lácteos no mês não foi suficiente para inibir a queda geral do índice, que ficou o menor em mais de dois anos.

Assim, a inflação no primeiro semestre teve alta acumulada de 4,45% e nos últimos 12 meses subiu 10,19%. Dos 297 itens pesquisados, 108 tiveram alta, 102 ficaram estáveis e 87 tiveram retração de preço. No mês anterior, maio, o índice da Udesc teve alta de 0,36%. 

O grupo de produtos e serviços de transportes, que inclui combustíveis, transporte público e veículos, teve redução média de -0,43%. O diesel, que pesa pouco no custo de transporte das famílias, teve alta média de 9% em junho. O grupo de transportes é o que mais pesa nas despesas totais das famílias em SC, 22,35%.

De acordo com o coordenador do índice, Hercílio Fernandes, a pesquisa apurou que os preços da gasolina e álcool caíram dia 30 de junho, antecipando a decisão do governo do Estado, que decretou a redução da alíquota de 25% para 17% a partir de 01 de julho.

O grupo de vestuário também teve redução expressiva de preços em junho, de -1,36%. Fecharam com queda ainda os grupos de saúde e cuidados pessoais (-0,60%), serviços de comunicação (-0,56%) e educação (-0,14%).

Entre os produtos que mais aumentaram, o destaque ficou para parte dos alimentos. Por isso, o grupo de alimentação, que pesa 21% no índice (segundo maior impacto), teve alta de 1,36%, puxada por leite e derivados. Na pior fase da entressafra, o leite longa vida subiu 21,6%, o queijo minas ficou 6,2% mais caro, o leite em pó 6,2% e os iogurtes, 6%.

Ainda no grupo de alimentos, frutas como mamão (11,40%) e morango (4,9%) tiveram as maiores variações positivas. Além disso, outros alimentos importantes continuaram subindo. As carnes tiveram alta média de 1,25%, aves e ovos 0,83% e panificação 0,71%. A alimentação no domicílio teve alta de 1,90% e fora do domicílio subiu 0,57%. Também subiram os preços médios dos grupos de habitação (0,33%), artigos de residência (0,72%) e despesas pessoais (0,51%).

Questionado se a inflação de julho será negativa em função das reduções de ICMS nos combustíveis, energia, telecomunicações e transporte público, o coordenador da pesquisa de inflação da Udesc disse que ainda não dá para adiantar isso.

– Os combustíveis para automóveis seguiram com quedas de preços a partir do dia 01 de julho. Se fossem computadas essas reduções também, nós teríamos tido um índice negativo, uma deflação no mês de junho. Mas apesar das reduções de ICMS, não dá para dizer que a inflação será negativa em julho porque tivemos pequenos aumentos em muitos produtos ao longo do mês passado. Um exemplo foi a alimentação. Foram aumentos pequenos, mas quase todos subiram – observou Hercílio Fernandes.

Embora seja calculado com dados de Florianópolis, o Índice de Custo de Vida (ICV) da Udesc Esag vale para todo o Estado porque, atualmente, muitos serviços são estaduais, supermercados e farmácias têm redes estaduais, além de empresas de outros setores também atuarem em outras cidades.

Via NSCTotal – Coluna Estela Benetti