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O derretimento do mercado financeiro após a fala do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva nesta quinta-feira, com queda de -3,35% do Ibovespa e alta de 4,10% do dólar, é uma prova de que o novo governo começou de fato e que as linhas da política econômica precisam ser definidas e anunciadas logo. O mercado já aceitou o Bolsa Família/Auxílio Brasil de R$ 600, verba para a Farmácia Popular e outros custos sociais, mas precisa de um ministro da Fazenda confiável e de um teto de gastos.

Desde a campanha que o mercado espera a definição do nome que vai liderar a economia e o limite para a questão fiscal. E aí o presidente afirma nesta quinta: “Por que é preciso ter teto de gastos?”

É necessário porque, sem teto de gastos, a impressão que o mercado tem é que as despesas públicas vão crescer de forma permanente. E quando isso acontece, a economia gera um ciclo negativo que começa com inflação e leva à recessão, que prejudica todos, mas principalmente os mais pobres, justamente quem o governo de Lula se propôs a ajudar mais.

O governo faz a gestão pública, mas quem produz, gera empregos e impostos são as empresas privadas, que precisam de um ambiente econômico confiável. Leia-se “ambiente confiável” no Brasil uma gestão pública responsável, que tenha limite para despesas porque os recursos são escassos para todos.

A propósito, gastar dentro do que é possível é regra na maioria dos países desenvolvidos. Prova disso foram as reformas feitas por países europeus para conter despesas que resultaram em crescimento econômico e maior bem-estar social para suas populações.

O endividamento público no Brasil preocupa porque os juros são altos para rolar essa dívida. Atualmente, enquanto a Selic está em 13,75% ao ano para conter a inflação gerada principalmente no exterior, os juros nos EUA, que estão altos para eles, subiram para a faixa de 3,75% a 4% ao ano neste mês. Eles também enfrentam a mesma inflação vinda de fora.

Além da fala de Lula, outro fato que preocupa o mercado é a alta inclusão de ex-ministros petistas na equipe de transição. Para o setor empresarial, nomes convidados para essa transição como os de Guido Mantega e Nelson Barbosa ajudaram a gerar crise no governo Dilma, por isso não agradam.

Já foram anunciados para a equipe econômica os economistas André Lara Resende, Pérsio Arida e Guilherme Mello. Mas falta o titular da Fazenda, que pode ser um político, sendo cotados Fernando Haddad e Jacques Wagner. No primeiro governo de Lula, a escolha do político Antonio Palocci funcionou bem. Desta vez, depois das dúvidas deixadas no ar por Lula na fala desta quinta-feira, pode não funcionar. Por enquanto, o nome que mais acalma os agentes econômicos é o de Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central nos governos do petista.

Via NSCTotal – Coluna Estela Benetti