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A indústria calçadista de São João Batista, polo do setor em Santa Catarina, tem mais de mil postos de trabalho para preencher em função da falta de trabalhadores. Além disso, o setor reivindica a redução da alíquota de ICMS de insumos de 17% para 3,18%. A redução da carga tributária será tema de reunião de lideranças do município com o governador Carlos Moisés e a secretária interina da Fazenda, Michele Roncalio, esta semana.

De acordo com o presidente do Sindicato das Indústrias de Calçados do município (Sincasjb), Almir Atanázio dos Santos, o objetivo é igualar a alíquota de insumos com a de produtos acabados porque essa diferença não pode ser creditada e acaba deixando os produtos mais caros.

Esse pleito também é defendido pelo prefeito do município, Pedro Alfredo Ramos (MDB), que falou sobre o tema na SC Trade Show, feira do setor, realizada na última semana, em Florianópolis. Em visita à exposição, o deputado estadual Jerry Comper também defendeu a redução.

Segundo o prefeito, o município, que tem cerca de 40 mil habitantes, está com a economia em fase de recuperação da pandemia, por isso essa falta de trabalhadores. Mas ele acredita que será suprida gradualmente porque não é exigida formação específica para essas vagas e estão vindo pessoas de fora.

– Quando a gente recebe um funcionário faz três dias de testes. É um serviço em esteira, trabalha o dia todo num setor. É fácil, não precisa ter curso superior – explica Pedro Ramos.

Pandemia forçou migração

A troca de atividade por parte de trabalhadores no pós-pandemia, que está chamando atenção nos Estados Unidos com trabalhadores de funções menos qualificadas e começa a ser abordada no Brasil na área de executivos de empresas, acontece, de certa forma, também em São João Batista. Essa conclusão é do presidente do sindicato das indústrias de calçados, Almir Santos.

Segundo ele, muitos trabalhadores perderam o emprego no setor calçadista em 2020 porque as indústrias ficaram um tempo sem produzir e retomaram aos poucos. Aí conseguiram colocação na indústria da construção civil na região, especialmente em Itapema e Balneário Camboriú. Como a construção paga salários mais altos e comissão, essas pessoas desistiram de voltar para as indústrias de calçados.

Para preencher as vagas atuais, a expectativa é de que venham trabalhadores do setor de calçados de outros estados ou até do exterior, principalmente Venezuela e Haiti.

A falta de candidatos não tem como única causa a indústria calçadista, voltada a produtos para o público feminino. A prefeitura está procurando diversificar, com a atração de mais empresas.

– Trouxemos de seis a oito empresas novas, de outros setores, para São João Batista. São fábricas de malhas, linhas, roupas. Além disso, empresas grandes de São Paulo e Itajaí estão avaliando a instalação de unidades no município – afirma o prefeito.

Os dados do Caged, do Ministério do Trabalho, dão uma ideia do movimentado mercado de trabalho de São João Batista. Em 2020, ano da chegada da pandemia, a cidade fechou 1.263 postos de trabalho formais. Em 2021, praticamente recuperou tudo, com saldo positivo de 1.250 novas contratações. Apenas nos dois primeiros meses deste ano – janeiro e fevereiro – já teve saldo positivo de 866 novas admissões. Isso mostra que, passada a pior fase da Covid-19, a cidade está com maior atividade e abrindo mais vagas.

Via NSCTotal – Coluna Estela Benetti