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Copom enfrenta pressão para subir a taxa básica de juros além do inicialmente planejado para segurar a disparada de preços na economia brasileira

A alta do dólar, o preço elevado do barril do petróleo e demais commodities, a subida do juros nos Estados Unidos e a instabilidade causada pela guerra entre Rússia e Ucrânia sinalizam para aumento das pressões inflacionárias a curto prazo. Com a prévia da inflação registrando alta de 1,73% em abril, o Comitê de Política Monetária (Copom) enfrenta pressão para subir a taxa básica de juros (Selic) além do inicialmente planejado para segurar a disparada de preços na economia brasileira.

 A Selic, atualmente, está em 11,75% ao ano, e o Copom já avisou que pretende elevá-la para 12,75% na próxima reunião, marcada para 3 e 4 de maio. O presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, ressaltou, porém, que o comitê está pronto para ajustar o tamanho do ciclo de aperto monetário no caso de choques inflacionários maiores ou mais persistentes do que o esperado. Na reunião do Bank of America e XP Investimentos, no início da semana, contudo, Campos Neto recomendou cautela. “O momento exige serenidade para avaliar o tamanho e a duração dos choques atuais”, declarou.

Dólar

Um dos principais fatores que alimenta a alta de preços, o dólar teve baixa de 0,47%, ontem, cotado a R$ 4,967 no fechamento, após três dias de grandes altas. Ao longo da sessão, a moeda chegou a valer R$ 5. Já o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo (B3), apresentou a primeira valorização, de 1,05%, desde 13 de abril e encerrou a sessão aos 109.349 pontos.

O professor Claudio de Moraes, do Instituto de Pós-Graduação e Pesquisa em Administração da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppead/UFRJ), explica que o câmbio tem um papel preponderante na definição da inflação, em um país emergente, como o Brasil.

“Ele sofre o que os economistas chamam de ‘pass through’, que é a transferência da taxa de câmbio para os preços via o mecanismo dos ‘tradables’, que são produtos negociados internacionalmente, como as commodities, por exemplo, petróleo, trigo e cobre, que sofrem o impacto da inflação global”, esclareceu Moraes.

Um segundo mecanismo se relaciona ao ambiente de incerteza interno e externo, quando há uma fuga de capitais do país e o dólar sobe. “Nesse caso, os preços aumentam mesmo que não haja inflação internacional.” Para o professor, a queda do dólar vista nas semanas anteriores até poderá influenciar o recuo de preços em alguns setores. “De alguma maneira tende a amortecer a inflação.”

Via Correio Braziliense