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Operadores de comércio exterior foram surpreendidos com a decisão da prefeitura de Itajaí, por meio da Superintendência do Porto de Itajaí, de lançar edital para buscar novos operadores temporários, tanto para a área arrendada pela APM Terminals, quanto para a área pública. Se o município não mudar de ideia e buscar um acordo, essa medida colocará em risco a movimentação do porto, afetando contêineres e a carga geral, pela qual são importados os automóveis da BMW em navios ro-ro (roll-on/roll-off), pelos quais os veículos entram e saem rodando.

O alerta é do empresário Antônio Guimarães, da empresa Simetria, de Imbituba, que junto com a SION, de São Francisco, são sócias da operadora SC Portos. Essa empresa iniciou no primeiro trimestre deste ano a movimentação de carga geral nos dois berços públicos do Porto de Itajaí, que junto com os dois privados, usados pela APM, e duas retroáreas, integram o terminal do município.

O problema começou porque a prefeitura e a APM Terminals ainda não chegaram a um acordo sobre a prorrogação do contrato de concessão do terminal de contêineres, como antecipou a colunista da NSC, Dagmara Spautz. O contrato se encerra em dezembro, a empresa tentou negociar uma alternativa sem prejuízo mensal e o município não aceitou.

Mas anúncio, nesta sexta-feira, de lançamento de um contrato tampão para operar contêineres a partir de janeiro, até o futuro concessionário de todo porto assumir, gerou tensão no mercado. A APM explicou que está interessada na continuidade e alertou sobre o risco de queda de movimentação com a insegurança.

– Ao mesmo tempo, a superintendência anunciou até em um ofício para nós, da SC Portos, que vão fazer a mesma coisa na área pública. Isso porque desde que iniciamos a movimentação no porto de Itajaí estamos tentando arrendar uma área de armazenagem para movimentação de carga geral, mas ainda não conseguirmos. E agora a superintendência anunciou que vai fazer um processo licitatório para um arrendamento de transição de toda área pública. Isso nos preocupou. Da mesma forma que a APM, temos projetos em andamento, contrato com clientes que movimentam cargas pelo Porto de Itajaí – explica Guimarães.

Segundo ele, a SC Portos foi fundada para atender uma nova demanda. Mais empresas estão optando por carga geral ao invés de contêineres porque o transporte marítimo ficou muito caro a partir da pandemia.

Esse serviço acelerou a chegada desse tipo de carga no Porto de Itajaí. Nos anos de 2020 e 2021, os dois berços públicos receberam apenas sete navios. Agora, com a SC Portos, de abril a julho deste ano já foram 10 navios.

– Nós trouxemos para Itajaí dois dos maiores players globais de celulose, que são a Eldorado e a Bracell, fazendo embarques regulares. A gente também tem feito o desembarque dos veículos da BMW por navio ro-ro. Eles entravam por contêineres. Mas no começo deste ano, uma empresa japonesa de navegação, a K-Line, fechou contrato de cinco anos com a BMW para trazer veículos em navios ro-ro. A gente faz essa descarga – informa Guimarães.

A expectativa é de que seja possível chegar a um acordo porque tanto a APM Terminals quanto a SC Portos desejam continuar. Se houve mudança de operador, a insegurança jurídica fará empresas buscarem outros portos, até fora de Santa Catarina.

Uma opção é o Porto de Paranaguá, no Paraná. Mas isso não interessa nem para o município e para o Estado, que perdem receita portuária, nem para os importadores porque ficarão sem os incentivos de importação de SC. A prefeitura de Itajaí precisa ficar atenta ao tempo do comércio exterior. Os negócios internacionais são de longo prazo. Uma empresa demora meses para fechar um contrato, mais meio ano para iniciar produção e movimentar cargas. As mudanças nesse setor podem levar à redução da arrecadação e também do Produto Interno Bruto (PIB) do município, que é o segundo maior do Estado.

Via NSCtotal – Coluna Estela Benetti