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Diagnóstico das contas do governo catarinense apresentado nesta terça-feira pelo governador Jorginho Mello e o secretário da Fazenda, Cleverson Siewert, chama a atenção pela profundidade e ineditismo. Vai do faturamento de R$ 1,09 trilhão da economia do Estado em 2022 ao déficit de R$ 2,85 bilhões para o governo pagar este ano. Mas tanto o governador quanto o secretário mostraram otimismo para quitar esse déficit e impulsionar a economia com investimentos.

Ao abrir a entrevista, que durou quase duas horas porque teve apresentação do amplo relatório por Siewert, Jorginho disse que foi feito um diagnóstico dos últimos 10 anos, incluindo receitas, despesas, arrecadação e qualidade de gastos. Falou que o objetivo foi apresentar a realidade dos dados do Estado com transparência, sem muita queixa, para, a partir de agora, trabalhar.

Na avaliação do secretário da Fazenda, será possível ajustar as contas do Estado ainda este ano, com o pagamento dos R$ 2,85 bilhões e, ao mesmo tempo, conseguir recursos para as principais promessas de campanha, que são as cirurgias eletivas e a universidade gratuita.

A virada na economia, segundo o secretário, será buscada por meio de investimentos, em especial com um amplo programa de parcerias público-privadas (PPPs), principalmente para infraestrutura. Um dos projetos é a abertura do canal de acesso da Baía da Babitonga, no Norte do Estado, com custo estimado de R$ 300 milhões. Essa obra, também citada pelo governador, permitirá a vinda dos grandes navios post panamax para SC, aquecendo o setor. Outro plano é atrair investimentos estrangeiros de um modo geral.

Corte de benefícios fiscais estão na mira, mas, segundo o secretário, isso será feito com muita cautela, ouvindo os setores e analisando os cenários no Brasil e no mundo, para SC não perder competitividade. Com o acúmulo de experiência de passagens anteriores no governo e no setor privado, Cleverson apresenta um cenário desafiador, mas sem gerar sobressaltos a ambos os lados.

Nos bastidores políticos, se falou que essa demora do novo governo em expor os dados teria a ver com o fato de ser de oposição à gestão anterior, por isso procurava enfatizar o cenário negativo. Não dá para negar que tudo tem um cunho político, visando os eleitores. Tanto as elevadas despesas da gestão do governo anterior, de Carlos Moisés, quanto da demora do governo atual em divulgar os dados, apresentando primeiro para os poderes.

Contudo, o diagnóstico apresentado fala por si e os catarinenses precisam de uma boa gestão pública para ter serviços de qualidade e para a economia seguir crescendo. É isso que se espera do novo governo.

Via NSCTotal – Coluna Estela Benetti