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Panorama da Pequena Indústria, divulgado a cada três meses pela CNI, especifica que o preço ou a falta de matéria-prima não preocupa os setores de extrativismo e da construção civil. Taxa de juros elevada é um dos problemas enfrentados

O terceiro semestre deste ano demonstrou sinais positivos para as indústrias brasileiras de pequeno porte que operam nos setores de extrativismo e construção civil. De acordo com o Panorama da Pequena Indústria, da Confederação Nacional da Indústria (CNI), questões relacionadas à compra de insumos não são os principais problemas citados por pequenos empresários do setor secundário que atuam nos ramos extrativista e de construção civil.

Comparado ao relatório deste período, no ano passado, a preocupação com matérias-primas caiu de 38,3% para 25% entre os empresários do setor extrativista e de 50% para 24% entre os responsáveis por pequenas indústrias na área de construção civil.

Para a analista de Políticas e Indústria da CNI Paula Verlangeiro, no entanto, o problema da falta ou do alto custo da matéria-prima não deixou de existir. “Mas foi menos assinalado no terceiro trimestre pelas pequenas indústrias. A expectativa é que (essa preocupação) recue ainda mais no fim de 2022”, explicou a analista.

Enquanto o pequeno industrial reconhece que a aquisição de insumos não se mostra um problema neste terceiro trimestre, o mesmo não pode dizer quando o assunto aborda os pagamentos de impostos e a busca por empréstimos. Ainda de acordo com Paula Verlangeiro, na indústria extrativa, “a dificuldade mais recorrente é a elevada carga tributária, e na indústria da construção são as taxas de juros elevadas”. A Selic, atualmente, está em 13,75%.

Diversificação nos insumos

Na avaliação do gerente de análise econômica da CNI, Marcelo Azevedo, a diminuição da preocupação das indústrias de pequeno porte por aquisição de insumos pode ser explicada pelo fato de essas empresas adotarem estratégias para otimizar a aquisição de matérias-primas. “Embora o Panorama da Pequena Indústria não foque no motivo de os empresários evitarem estabelecer a compra de insumos como principal problema, a CNI faz sondagens e percebeu que, neste ano, as empresas buscaram contato com novos fornecedores, tanto aqui (Brasil), como em outros países”, explicou o economista.

Outro motivo apontado por Marcelo Azevedo como benéfico à compra de insumos para as indústrias de extrativismo e construção civil é o fato de a China — um dos principais fornecedores de matérias-primas às indústrias — fazer lockdowns de forma mais “espaçada”. Neste caso, o analista da CNI comentou que a política “covid zero”, implantada pela China, vem afetando menos o fornecimento de insumos do que os extensos lockdowns comuns à China pandêmica.

Transformação

Enquanto os setores de extrativismo e construção civil celebram a aquisição de matérias-primas, a indústria de transformação cita essa demanda como a principal queixa entre os empresários. De acordo com a pesquisa da CNI, 40,5% dos representantes deste setor citam esse ponto como o principal problema.

O índice de preocupação, porém, diminuiu em comparação com o levantamento do segundo semestre, que apontou que 51,8% dos empresários da indústria de transformação citaram a aquisição de insumos como o principal problema na área.

A elevada carga tributária também preocupa esse setor, ficando em segundo lugar no ranking do Panorama da Pequena Indústria.

O fato de o desempenho das pequenas indústrias no trimestre superar o do ano anterior faz com que os empresários deste setor se mostrem otimistas. Os dados mostram que, enquanto no ano passado o desempenho no terceiro semestre foi de 47,4 pontos, o Panorama da Pequena Indústria neste período em 2022 mostra que as pequenas indústrias avançaram para 49 pontos.

No entanto, o otimismo do setor não faz com que os empresários mantenham a confiança na área. Segundo o relatório da CNI, o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) para as indústrias de pequeno porte foi de 58,7 pontos em outubro de 2022, queda de 3,2 pontos, na comparação com setembro de 2022. Apesar da queda, o ICEI para o setor permaneceu acima da linha divisória de 50 pontos, que separa confiança de falta de confiança e acima da média histórica de 53,0 pontos. Logo, segundo a Confederação Nacional das Indústrias, é possível constar que o pequeno empresário industrial se mostra otimista.

Baseado em quatro perspectivas, o Panorama da Pequena Indústria analisa fatores como desempenho, situação financeira, perspectivas e índice de confiança. Todos os índices variam de 0 a 100 pontos. Quanto maior for esse dado, segundo a CNI, melhor é a performance do setor.

Os índices consideram volume de produção, número de empregados, utilização da capacidade instalada, satisfação com o lucro operacional e situação financeira, facilidade de acesso ao crédito, expectativa de evolução da demanda e intenção de investimento e de contratações.

Além disso, a pesquisa também traz o ranking dos principais problemas enfrentados pelas MPEs em cada trimestre.

A pesquisa é divulgada trimestralmente com base na análise dos dados da pequena indústria levantados na Sondagem Industrial, na Sondagem Indústria da Construção e no Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI). Todos os meses, as pesquisas ouvem cerca de 900 empresários de empresas de pequeno porte.

Via Correio Braziliense