Notícias

carnebovina_1[1]

Compartilhe:

A carne bovina, um dos produtos mais importantes no cardápio da maioria dos brasileiros, teve alta média de preços superior a 50% nos últimos 12 meses, e não há tendência de queda. No final de 2019, a arroba (15 quilos) custava R$ 200 e, agora, em regiões produtoras de São Paulo, está em R$ 302 na venda a prazo. 

Os preços seguem elevados em função da oferta insuficiente no país, alta do dólar e exportações, explica o vice-presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Santa Catarina (Faesc), Enori Barbieri. Sondagem da Associação Catarinense de Supermercados (Acats) para a coluna apurou queda de 2% a 15% na venda de carne bovina em supermercados do litoral em janeiro e a migração para outras proteínas, com destaque para o peixe.

Na avaliação de Barbieri, apesar da oferta menor de carne bovina ser um problema nos últimos anos em função do desequilíbrio da oferta no país e, mais recentemente, com a seca, a origem desses maiores preços está na baixa taxa Selic, atualmente em 2% ao ano. Isso afasta os investimentos financeiros do Exterior e mantém o dólar alto, o que incentiva exportações de carnes e de grãos e limita a oferta de produtos no mercado interno impactando a inflação de alimentos. A China continua adquirindo elevados volumes de carnes porque ainda enfrenta os efeitos do surto de peste suína africana.   

— Infelizmente, este ano, se o Brasil continuar com essa taxa Selic e com esse dólar, não tem nenhuma previsão de queda do preço da carne bovina e da carne suína. A única carne que poderá continuar com preço estável ou até subir um pouco é a de frango. Os ovos, outra proteína muito consumida, também vão subir porque o milho, que é a base da alimentação das aves, segue caro — explica o vice-presidente da Faesc.  

Apesar do preço da carne bovina no atacado mostrar alta média superior a 50% no Brasil no ano passado, os dados da inflação oficial do país, o IPCA, mostram um impacto menor no custo das carnes em geral ao consumidor. Segundo o índice, os alimentos em domicílio tiveram alta de 18,16% no ano e as carnes, de 17,97%. Com preços mais elevados, boa parte dos consumidores opta por cortes mais acessíveis, a chamada carne de segunda.

Preço impacta nas vendas

Sondagem feita pela Acats junto a redes de supermercados sobre como foi a demanda por carne bovina em janeiro apurou que empresas com lojas mais concentradas no litoral tiveram quedas de 2% a 15%. No Oeste, o recuo de vendas do produto não foi significativo. O levantamento revelou também que a região do litoral teve uma retração de até 5% na venda de outras proteínas como ovos, carnes de aves, carne suína, linguiças e salsichas.  

No interior do Estado, houve caso de aumento no volume de vendas de frango e linguiça, enquanto a carne suína seguiu estável, apurou a Acats. Chama a atenção o crescimento de 10% a 12% nas vendas do peixe de água doce tilápia em todas as regiões.  

Via NSCTotal – Coluna Estela Benetti