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Com as políticas corretas, o Brasil pode se tornar uma das potências industriais do planeta

A política internacional está em um período de transição. Desde a década de 1980, o mundo passou por uma fase, em geral, de menor belicosidade militar e maior integração econômica. O processo de globalização econômica experimentado nas últimas quatro décadas trouxe diversos ganhos do ponto de vista econômico. As indústrias migraram das grandes potências ocidentais para os países em desenvolvimento do Leste Europeu e Ásia. Assim sendo, atingiu-se um maior nível de eficiência econômica. Os Estados Unidos e a Europa, por exemplo, concentraram suas economias no desenvolvimento de novas tecnologias e produtos inovadores. Já países como a China se tornaram as verdadeiras fábricas do mundo, em razão de seus baixos custos de mão de obra.

Fundamentalmente, por quatro décadas, vivemos os ganhos de uma economia de mercado aberta, com crescimento elevado e baixa inflação. Infelizmente, o Brasil não conseguiu aproveitar esse período de rápido crescimento econômico mundial. Aliás, essas quatro décadas coincidem com o período de crescimento mais baixo da economia brasileira. Enquanto o Brasil fechava sua economia ao comércio internacional, o mundo se integrava e experimentava os benefícios da globalização. Mesmo com as políticas protecionistas, o Brasil não conseguiu salvar seu setor industrial. Enquanto na década de 1980, a indústria compreendia quase 50% do PIB, em 2021 sua participação na economia do país era de apenas 22%. Os altos custos de mão de obra e energia, a infraestrutura precária, e os elevados níveis de tributação corroeram a competitividade da indústria brasileira. Contudo, a mudança no cenário geopolítico internacional, permite um renascimento da indústria nacional.

Eventos recentes, como a pandemia da Covid-19, o conflito entre a Rússia e Ucrânia, e o acirramento das tensões políticas entre os Estados Unidos e a China, demonstraram ao Ocidente que as políticas de integração econômica foram longe demais. Domesticamente, as grandes economias Ocidentais experimentam os custos sociais das políticas de globalização econômica. As desigualdades econômicas internas aumentaram. Enquanto os grandes centros urbanos dos Estados Unidos e Europa se beneficiaram com a globalização, as cidades industriais viram o padrão de vida de seus cidadãos se deteriorar. Ademais, a agenda de globalização criou problemas para política internacional desses países. Os países eurasiáticos se enriqueceram e começaram a desafiar o poder Ocidental. A doutrina realista das relações internacionais se mostrou correta. Política internacional não se trata de ganhos absolutos, mas de ganhos relativos.

O modelo político-econômico das últimas quatro décadas está próximo de seu fim. Com as crises logísticas e de produção, as perspectivas de crescimento econômico elevado e inflação baixa deixaram de existir. Entretanto, nos corredores de Washington, Bruxelas, Genebra, Londres e Frankfurt, não se sugere uma política de produção industrial exclusivamente doméstica. Talvez, este tipo estratégia seja utilizado para indústrias estratégicos, especialmente nos setores de saúde, militar e energético. No entanto, as grandes potências Ocidentais buscam implementar políticas comerciais friend-shoring (comércio com nações amigas) e near-shoring (comércio com nações próximas).

Diante deste cenário de reorganização política e econômica internacional, o Brasil possui uma oportunidade ímpar para sua reindustrialização. O Brasil é essencialmente um país Ocidental e está localizado relativamente perto dos Estados Unidos e da Europa. O que falta ao Brasil, entretanto, são custos de produção baixos. Nesse sentido, independente de quem esteja ocupando o Palácio da Alvorada em 1º de janeiro de 2023, o governo brasileiro precisará atuar para mitigar os percalços enfrentados pelas indústrias do país. O “Custo Brasil” precisa ser atacado para ampliar a competitividade da indústria brasileira.

Serão necessárias diversas reformas. Uma das reformas mais importante é uma nova reforma trabalhista que desonere os empregadores de boa parta das obrigações trabalhistas. Caso o Brasil queira uma indústria competitiva, é inviável que um trabalhador custe o dobro de seu salário. Outra medida necessária será uma reforma tributária que elimine o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) e reduza o imposto de renda das empresas. A arrecadação de impostos deve ser focada na renda da Pessoa Física, para que a competitividade das empresas brasileiras não seja corroída.

Além disso, o governo deve dar continuidade nos processos de concessões e privatizações para serem feitos mais investimentos na área de infraestrutura, especialmente de transportes e energia. Afinal de contas, sem energia e transportes baratos, os custos operacionais da indústria tornam-se demasiadamente elevados. Por fim, o governo deve continuar o processo de abertura econômica do país. A redução de impostos de importação será fundamental para reduzir o custo de aquisição de maquinários e matéria-prima para indústria, além de submeter a indústria do Brasil a competição internacional, para ela continuar inovando e aumentando sua produtividade.

A conjuntura política e econômica internacional está oferecendo uma oportunidade única para o país se reindustrializar. Precisamos superar os agentes do atraso, que impedem o Brasil de progredir. Roberto Campos dizia que “o Brasil não perde uma oportunidade de perder uma oportunidade”. Espero que dessa vez Campos esteja errado e o Brasil encontre o caminho da prosperidade. A rota já é conhecida e os primeiros passos já foram dados. Chegou a hora de embarcar de vez nessa viagem.