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Dentro do calendário proposta pelo próprio governador eleito Jorginho Mello (Partido Liberal), faltam quatro dias para que sejam anunciados os primeiros nomes do futuro secretariado. Ele disse e reiterou que qualquer nome ventilado antes de 1º de dezembro seria “fake news” e que “nem sob tortura” anteciparia algum secretário. Mesmo assim, sem arriscar sem acusado de produzir informação falsa e sem ameaçar os direitos humanos do novo governador, é possível projetar um pouco o perfil e até algumas presenças na equipe com quem ele vai governar Santa Catarina a partir de 2023.

Começo pelo óbvio. É difícil que alguém perca dinheiro se apostar na deputada federal reeleita Carmen Zanotto (Cidadania) para a Secretaria de Saúde e no presidente do Sistema Acafe, Aristides Cimadon, para a Secretaria de Educação. A parlamentar é uma das mais duradoras aliadas políticas de Jorginho Mello e nitidamente deseja retornar à pasta que comandou entre 2006 e 2010, no segundo mandato de Luiz Henrique da Silveira (Pmdb). Ela já iniciou as costuras com o setor empresarial de Lages, que apostou fortemente nela para não ficar sem representação regional na Câmara dos Deputados, e tem focado em acelerar a construção de soluções para o financiamento do piso da enfermagem – aprovado no Congresso Nacional, mas suspenso por decisão do Supremo Tribunal Federal (Stf). Para a Serra, o discurso será de que a região terá as emendas parlamentares e uma secretária estadual com caneta robusta.

Outro nome setorial importante que deve ser anunciado é o ex-deputado federal Valdir Colatto (Partido Liberal) na Secretaria de Agricultura. Na Federação das Indústrias (Fiesc), Jorginho disse que a indicação vai partir das cooperativas do agronegócio. O nome do experiente ex-parlamentar tem circulado nos bastidores como teste e ninguém questionou. Durante diversos mandatos, sempre pelo Pmdb, Colatto foi um dos expoentes da bancada ruralista, especialmente entre os catarinenses. Atingido pela Onda Bolsonaro em 2018, foi abrigado pelo presidente no cargo de chefe do Serviço Florestal Brasileiro. Teve problemas de saúde, dos quais já se recuperou, e passou meses titubeando entre concorrer novamente a deputado federal – e concorrendo, se pelo Partido Liberal de Bolsonaro ou Jorginho ou pelo União Brasil de Gean Loureiro. Manteve o suspense até depois do prazo, quando for confirmada a filiação ao Partido Liberal – que surpreendeu a turma de Gean. O titubeio fez com que a antiga base – e os apoiadores no agronegócio – já estivesse encantada por Caroline de Toni (Partido Liberal) quando ele entrou no jogo. Colatto ficou com a segunda suplência, mas agora deve ter a antiga lealdade recompensada.

Há setores mais difíceis de apostar. O principal deles é fundamental para os destinos do novo governo: a Secretaria da Fazenda. Praticamente não houve transição de governo nessa área e ninguém na equipe anunciada por Jorginho parece ter o perfil da pasta tocada por Paulo Eli desde 2018. A possibilidade de continuidade do secretário é remota. Na Fiesc, o novo governador disse que quer alguém que olhe para o caixa e também para os pedidos do empresariado por redução de alíquotas. O nome sondado por Jorginho ajuda a entender qual é o perfil buscado: o advogado Antonio Gavazzoni, titular de pasta durante o segundo mandato de Luiz Henrique e por seis anos com Raimundo Colombo (Psd). A aposta em Gavazzoni não é segura porque ele tem reiterado que não pretende voltar ao posto.

Um nome que provavelmente vai estar no governo – e não importa a pasta escolhida, terá muito peso – é o advogado Filipe Mello, filho de Jorginho Mello. Ele foi indicado para ocupar os cargos de primeiro escalão que o partido teve no governo de Raimundo Colombo e na prefeitura de Gean Loureiro em Florianópolis. Com o primeiro, foi secretário de Planejamento, de Articulações Internacionais e de Turismo, Cultura e Esporte ao longo de sete anos. Na Capital, foi chefe da Casa Civil no primeiro ano do mandato do ex-prefeito – derrotado por Jorginho nas eleições para o governo este ano. Já foram feitas consultas jurídicas para garantir que não existe ilegalidade na nomeação do filho do governador para o primeiro escalão. Em 2008, o Stf definiu que as regras sobre nepotismo não valiam para a nomeação de secretários estaduais ou ministros do governo federal, por serem considerados agentes políticos.

Seguindo a linha de não nomear deputados federais e estaduais do Partido Liberal, Jorginho também pode aproveitar suplentes no secretariado. Além de Colatto na Agricultura, é especulado o nome do vereador e atual presidente da Câmara de Joinville, Maurício Peixer, para a pasta do Desenvolvimento Social. Com seis mandatos na Câmara de Joinville, ele já estava no partido de Jorginho antes da chegada de Bolsonaro à legenda. Peixer já comandou a Assistência Social em Joinville, na gestão de Marco Tebaldi como prefeito.

As apostas listadas tem algo em comum. Independem das conversas com outros partidos para a formação da base aliada na Assembleia Legislativa. Essas conversas estão relacionadas com a presidência do parlamento estadual e devem demorar um pouco mais para avançar. Como diz mais de uma fonte com quem conversei nas últimas semanas, Jorginho joga com o calendário embaixo do braço.

Via Upiara Online